Um pouco mais de azul

quinta-feira, agosto 12, 2004

Um ano de ti

Sempre que o leio vêm-me as lágrimas aos olhos. Revejo quanto senti, quanto vivi há nove anos atrás. Invejo-lhe a capacidade de pôr sentimentos e emoções em palavras. Outro dia queixava-se de não ser capaz de escrever o que queria e como queria: caro Pai, o que escreve é tão, tão belo... Não será para o seu filho ler em criança. Se calhar, a melhor altura para lhe dar a conhecer estes textos será quando ele próprio for pai e, finalmente, estiver em condições de compreender. Porque há coisas que só se compreendem na sua plenitude quando uma barriga tem lá dentro "um novelo de vida", ou quando uma mãozinha minúscula agarra confiadamente na nossa e só de a olhar nos sentimos felizes, felizes, e nem sabemos o que fazer a tanta felicidade, ou se havemos de rir ou de chorar, e sentimo-nos reis do universo porque trouxemos ao mundo uma nova vida, e ao mesmo tempo aflitos porque essa vida deposita em nós toda a confiança para crescer e ser feliz, e nós nem sabemos sequer por onde começar, e não percebemos nada de fraldas nem de choros, nem de mamadas e pomadas para rabinhos, e temos de aprender tudo com aqueles seres minúsculos e rabugentos cujos gritos se alojam na nossa cabeça até quase enlouquecermos - mas sem os quais nos passamos a sentir vazios, ocos, farrapos.


 
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