Um pouco mais de azul

terça-feira, abril 06, 2004

Estranho grito

Estranho grito, este
numa boca amordaçada
- tem o cheiro dos silêncios
de uma casa assombrada.

Estranho grito, este
num peito cheio de nada
- tem o calor dos verões
em tempestade amainada.

Estranho grito, este
numa noite inacabada
- tem o sabor acre do sal
numa praia abandonada.

Estranho grito, este
numa alma atribulada
- tem as grilhetas de ferro
de uma águia enjaulada.

(gosto deste poema escrito por um amigo meu, apesar do seu tom cinzento escuro; talvez ganhe novas cores, mais fortes e luminosas, neste blog em tons de azul)


 
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